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ABILIO DIZ QUE UNIVERSITÁRIOS “EMBURRECERAM” APÓS ENTRAR NA UFMT E CRITICA MILITÂNCIA POLÍTICA

R Redação Folha de VG
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ABILIO DIZ QUE UNIVERSITÁRIOS “EMBURRECERAM” APÓS ENTRAR NA UFMT E CRITICA MILITÂNCIA POLÍTICA

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que estudantes de universidades públicas estariam priorizando a militância política em vez do aprendizado e declarou que alguns deles “emburreceram” após ingressar nas instituições de ensino superior. As falas foram feitas nesta sexta-feira (23), durante uma coletiva de imprensa, ao comentar um vídeo em que um estudante ligado ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) o chama de fascista.

Ao rebater a crítica, Abilio atribuiu o fascismo a grupos de esquerda e questionou o conhecimento de estudantes universitários. Como exemplo, citou uma pergunta básica de matemática.

“Pergunta pra aquele aluno lá quanto que é 4×4. O cara tá no DC da universidade. Pergunta quanto que é 4×4. O cara não sabe 4×4”, declarou.

O prefeito também afirmou que parte dos universitários estaria mais envolvida com disputas políticas do que com a formação acadêmica. Na avaliação dele, o ensino superior público deve priorizar a busca pelo conhecimento e garantir resultados compatíveis com os recursos investidos pelo poder público.

“A maioria desses alunos estão mais preocupados com militância política do que com a busca do conhecimento que deveria ser o principal objetivo de uma universidade federal ou estadual”, disse.

Abilio argumentou ainda que a sociedade tem o direito de cobrar desempenho das instituições públicas de ensino, uma vez que elas são financiadas com dinheiro público.

“Eu não posso dar direito àquele aluno que está lá de ser mau cidadão, de não aprender na universidade, de não corresponder ao dinheiro público aplicado”, afirmou.

DECLARAÇÕES AMPLIAM ATRITO COM COMUNIDADE ACADÊMICA

As novas críticas ocorrem após outras declarações do prefeito direcionadas a estudantes e professores da UFMT e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).

No dia 13 de outubro, durante o lançamento da Casa 22, espaço de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, Abilio criticou integrantes das universidades que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na ocasião, o prefeito fez comentários sobre a participação de universitários em manifestações políticas e mencionou o consumo de maconha e cocaína, além de camisetas com a imagem do revolucionário argentino Che Guevara. Segundo ele, a atuação desses grupos poderia influenciar o posicionamento de eleitores conservadores.

As declarações provocaram reações de representantes da comunidade acadêmica. A reitora da UFMT, Marluce Souza e Silva, anunciou que encaminharia o caso à Procuradoria-Geral Federal para análise e avaliação das providências cabíveis. A Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat) também repudiou as falas e informou que adotaria medidas judiciais.

VÍDEO DE ESTUDANTES MOTIVOU NOVA RESPOSTA

Na quinta-feira (22), um vídeo divulgado nas redes sociais reuniu críticas de estudantes e integrantes de movimentos ligados à educação contra Abilio e o deputado estadual Ulysses Moraes (PL). No material, os dois são chamados de fascistas, e os participantes convocam a população para uma manifestação em defesa da democracia e da educação pública em Cuiabá.

Questionado sobre as acusações, Abilio voltou a atribuir o fascismo a setores da esquerda e defendeu a cobrança por resultados acadêmicos nas universidades públicas.

O episódio amplia o embate entre o prefeito e integrantes da comunidade universitária, em meio a divergências políticas sobre o papel das instituições de ensino superior e a participação de estudantes e professores no debate público.

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