UFMT DE BARRA DO GARÇAS TERÁ PRIMEIRA LICENCIATURA INTERCULTURAL INDÍGENA DA REGIÃO
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Barra do Garças, vai oferecer 50 vagas para a primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena da região do Médio Araguaia. A criação do curso foi aprovada pelo Ministério da Educação (MEC) e a formação será voltada, inicialmente, a estudantes do povo A'uwẽ Uptabi, conhecido como Xavante.
Com duração de quatro anos, a graduação será oferecida pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS). A previsão é que as aulas comecem no primeiro semestre de 2027, e o processo seletivo para os candidatos indígenas deve ocorrer ainda este ano.
A proposta é formar professores indígenas em nível superior a partir das particularidades culturais, linguísticas e sociais das próprias comunidades. A iniciativa busca ampliar o acesso à universidade e fortalecer a educação nos territórios indígenas.
A direção do ICHS já iniciou visitas às aldeias para dialogar com as comunidades e avançar na implementação do curso.
Para a diretora do Instituto, professora Ranielle Sousa, a criação da graduação representa um avanço na relação entre a universidade e os povos indígenas, além de contribuir para a garantia do direito à educação.
“É muito representativo e simbólico ver a comunidade indígena ocupar de fato a Universidade, que passa a ser também um território indígena. Ao mesmo tempo, o grande objetivo é fortalecer o direito à educação e formar professores dentro de seus próprios territórios”, afirmou.
FORMAÇÃO INDÍGENA EM OUTROS TERRITÓRIOS
A aprovação do curso em Barra do Garças amplia as iniciativas de formação superior intercultural indígena desenvolvidas pela UFMT em Mato Grosso.
Na Terra Indígena Capoto-Jarina, localizada no Território Etnoeducacional Mẽbêngôkre, o MEC já aprovou a oferta de três cursos de licenciatura intercultural. O processo seletivo foi publicado em setembro e já foi concluído.
A proposta foi apresentada em junho pelo Ministério da Educação e pela UFMT, durante uma visita à Aldeia Piaraçu. Na ocasião, representantes das instituições apresentaram às comunidades a possibilidade de oferecer formação superior para professores indígenas dentro do próprio território, em diálogo com lideranças e educadores locais.
Ao todo, foram disponibilizadas 60 vagas, divididas igualmente entre três graduações: Educação Intercultural Indígena – Pedagogia; Educação Intercultural Indígena – Linguagens e Humanidades; e Educação Intercultural Indígena – Ciências da Natureza e Matemática, com 20 vagas para cada curso.
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